quarta-feira, 23 de maio de 2012

RELATO de um ex-MÚSICO




Vou contar um pouco de minha Breve passagem pela música. Meu nome é Luiz Henrique Cunha, conhecido no meio musical do Rio de Janeiro por Luiz Vicunha, músico, guitarrista, compositor, e até cheguei a produzir um CD de minha autoria chamado PARAMITA. Produzi outros trabalhos também, mas nada que chegasse a ser divulgado, ficando como meu acervo pessoal de músicas e composições, esperando que um dia viesse acontecer de ser usado em alguma banda, ou em algum projeto musical.

Não vou medir palavras, sou músico Frustrado com o cenário musical. Sim, é isso mesmo. Frustrado. Mas por quê? Você deve estar perguntando agora. A resposta é simples. Eu nasci em um País onde a música não é levada a sério, onde as pessoas não são levadas a sério e aonde o povo tem o que merece. Corrupção, mau gosto e alienação cultural. Não é por menos que o Brasil é motivo de piada para o resto do mundo.

Eu sou músico autodidata, mas isso não significa que eu não saiba o que é a música, o que é uma contagem de tempo em 7/8, o que é uma partitura musical ou modos gregos em escalas. Pelo contrário, sou autodidata pois eu não tenho uma linha de formação musical definida. Quando criança estudei música na Casa Milton, uma das mais famosas escolas particulares de música do Rio de Janeiro, em minha adolescência estudei alguns anos na Escola de Música Villa Lobos. Fiz vestibular e passei para o curso de música da UFRJ, porém por influências externas, tive que seguir o curso de Direito da Universidade Veiga de Almeida mas não desisti da música, fiz alguns cursos de música online, paguei por aulas particulares e sempre procurei me aperfeiçoar não apenas na parte técnica de meu instrumento musical, mas no conceito e na vivência da música.
 
No Rio de Janeiro participei de diversas bandas, sendo a primeira de pop-rock, com 15 anos de idade. Aos 17 entrei em minha primeira banda de Heavy Metal, a Dream Hall, que ficou na estrada por dois anos, fazendo inúmeros shows pelo Estado do Rio. Após isso participei como músico convidado em diversos projetos musicais, shows e apresentações das mais diversas espécies.

Trabalhei com música por algum tempo, fui vendedor, professor particular de guitarra e cheguei a ser chamado para apresentar alguns workshops em minha faculdade e em algumas lojas de música.
Enquanto eu estava pegado gravando o CD autoral da minha antiga banda a Magistra, banda esta que despertou os olhares do músico e produtor Renato Tribuzy, o qual fechou uma parceria conosco produzindo nosso CD, gravei de forma totalmente independente o PARAMITA, CD instrumental o qual eu tentava mostrar meu lado criativo diferenciado, mostrando que eu não sou apenas um guitarrista de banda de Heavy Metal, mas que sou um músico com entendimentos além de seu instrumento musical, uma vez que nesse CD eu compus todos os instrumntos (Guitarra, Baixo, Bateria, Teclado, Orquestra e etc.). 

Foi um desafio muito gratificante para mim, porém sem nenhum crédito ou reconhecimento posterior. Sei que o público alvo é bastante restrito, principalmente quando se trata de musica instrumental, rock e heavy metal, agora obter um resultado NULO! É sacanagem!!
 
Pessoas que se diziam apoiar a música de forma  irracional, que batiam no peito por uma causa justa, pela luta para não deixar o Rock morrer, foram vencidas pelo cansaço, ou simplesmente comprovaram que todo aquele esforço e suor não passavam de demagogia. E eu músico sonhador, pensando que em algum dia poderia demonstrar minha arte para o mundo, ou simplesmente sobreviver com o fruto da mesma, me frustrei, me decepcionei com o cenário e cansei de me expor e simplesmente de tentar me enganar de que a música de qualidade nos tempos de hoje é reconhecida.

As pessoas que me conhecem no meio musical devem estar chocadas com esse meu relato, pois eu durante 10 anos de estrada, nunca deixei transparecer um traço de desilusão, e agora venho dizer abertamente para todos que DESISTI DA MÚSICA. 

A música era pra ser profissão, uma profissão gloriosa e gratificante, com retorno financeiro proporcional ao gasto que nos proporciona. SIM, GASTO QUE NOS PROPORCIONA. Ser músico não é sentar numa cadeira de bar, escrever uma letrinha boba e sair cantando. Pelo contrário, os gastos são absurdos. Ensaios, transporte, manutenção de instrumento musical, gravações, composições, registro de músicas, anuidade da OMB, dentre outras coisas.

Se você tem uma banda, e pretende ensaiar durante 2 horas em um estúdio, o gasto de sua banda vai ser R$ 40 reais por hora de estúdio, mais transporte de cada músico até o local de ensaio, mais o que cada músico consumir no local. Logo em um dia de ensaio pode-se colocar que o gasto da Banda foi de R$150,00 a R$300. Se a banda ensaiar 4x por mês o gasto é de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 Só com ensaio, fora melhorias em seu instrumento, cordas, equipamentos novos e etc. 

Quando se fecha um show de uma banda pequena, quando a mesma não toca DE GRAÇA, o cachê cobre apenas as despesas de um ensaio. Deixando a banda na defasagem de R$ 450,00 a R$ 900,00. PORRA ISSO É PROFISSÃO??

Trabalhei um tempo como guitarrista free-lancer em estúdios, pois os estrelinhas das bandas que estavam sendo produzidos, empresariados e que estão em destaque hoje não conseguiam gravar uma base de guitarra em um compaço 4/4 a 120 bpm. Não vou postar as bandas as quais gravei as guitarras, por uma questão contratual. Mas se você está escutando a bandinha tal e acha que o guitarrista é FODÃO, pode ter certeza que quem gravou aquilo ali não foi ele. 

No mais, eu acho absurdo uma pessoa que faz uma letra repetindo apenas a expressão “Você quer?” ser considerado músico. Que valor essa música passa? Que crítica essa música faz? Qual a mensagem que ela passa? Se pararmos para pensar, as pessoas estão cada vez mais BURRAS para aceitar isso. Músicas com conteúdo não tocam mais na rádio. São poucas as rádios que se põem a tocar músicas de qualidade, e quando tocam, são músicas internacionais. Chamar uma pessoa que faz um trabalho desse nível, de músico, é dar um tiro na cara de quem se dedica e estuda, de quem tenta trabalhar com isso de forma séria. Pois por conta de pessoas assim, que não temos MÚSICA DE QUALIDADE no Brasil.

Mas a culpa não é da pessoa que se presta ao papel ridículo de dar a cara para cantar porcarias na TV, a culpa é de quem aceita isso. Para mim a pessoa que canta uma merda dessas não é musico nem artista. É palhaço! E quem consome esse tipo de material é pior ainda.

Meu conselho para quem quer começar na música de forma profissional e para reverem seus conceitos, suas qualidades, é que se ainda assim quiser tentar a sorte no meio musical, que veja realmente se vale apena. Pois eu tinha um sonho, e este se tornou um pesadelo o qual eu ainda não consegui acordar, de tamanho desgosto das coisas que vivenciei na tentativa de levar a música a sério.

Estou deixando esse relato no Blog, os vídeos e músicas as quais compuz com todo carinho para que, quem sabe algum dia, minha vontade de continuar esse caminho volte e eu consiga dar continuidade nos trabalhos os quais estou deixando de lado. É muito triste ver que o esforço de 15 anos de dedicação foram 15 anos de perda de tempo.


Keep Rock and Fuck YOURSELF
 Por Luiz Vicunha

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